Os problemas na edificação começaram a ser percebidos pelos moradores um ano após a sua construção, finalizada em 1995.
De acordo com a assessoria do órgão, os proprietários dos apartamentos teriam procurado a construtora, que, por sua vez, alegou serem normais os surgimentos de trincas na construção como resultado de “acomodação natural de terreno”.
À época, ainda conforme a assessoria, a empresa se prontificou a realizar obras de reparo, com a garantia de que elas resolveriam o problema. No entanto, conforme histórico relatado pelo órgão, as rachaduras voltaram a ser notadas na estrutura “cada vez mais agravadas”.
A assessoria do TJ revelou que o condomínio entrou com uma ação, em 2010, depois que a empresa começou obras de restauração no local, mas abandonando-as
O tribunal informou que a ação havia sido indeferida “momentaneamente”. Ainda conforme o relato, o juiz considerou ter havido “fatos novos”, no último fim de semana, como o aumento das trincas, para determinar os reparos.
Impróprio para habitação
O magistrado levou em conta a avaliação de laudo da defesa civil que considerou o prédio “impróprio para habitação”, revelou a assessoria. A decisão ainda determinou que um perito acompanhe e fiscalize a obra de reestruturação.
As empresas responsáveis pelas duas edificações avaliam que a culpa pelas rachaduras seria na drenagem deficiente da água de chuva no local.
A Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) afirmou que não foram encontrados problemas com o escoamento das águas pluviais na rua e ainda afirmou que laudos comprovariam isso.
Fonte: Site UOL
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Publicação: 14/11/2011 07:10 Atualização:
nze dias depois de a Justiça determinar à Estrutura Engenharia o pagamento de R$ 1,5 mil mensal de aluguel a cada uma das famílias do Edifício Vale do Buritis – que ameaça desabar no Bairro Buritis, Região Oeste d a capital –, apenas o empresário Eduardo Bianchini Galliac, de 38 anos, conseguiu imóvel e aguarda aprovação de ficha em imobiliária. Outras cinco famílias, que foram retiradas às pressas em 23 de outubro e que estão alojadas em casas de parentes e amigos, reclamam da burocracia para fechar o contrato e consideram baixo o valor do aluguel. O juiz da 16ª Vara Cível da capital, Alexandre Quintino Santiago, garantiu a escolha de um apartamento semelhante ao dos proprietários.
Enquanto a situação do aluguel não é resolvida, moradores do primeiro andar conseguiram retirar os pertences leves graças ao escoramento da estrutura do edifício. Os trabalhadores recomeçam hoje a colocar suportes de madeira no primeiro andar, para possibilitar a entrada dos moradores dos apartamentos 201 e 202. A retirada de móveis e objetos pesados só será permitida depois que todos os andares estiverem escorados. A previsão é que isso ocorra no fim da semana.
A Defesa Civil interditou o Vale do Buritis depois da movimentação do terreno e surgimento de várias rachaduras. Outros dois prédios vizinhos, um com três famílias e outro em fase de acabamento, também foram afetados e esvaziados, mas não são citados na decisão do juiz que obrigou a construtora do Vale dos Buritis a pagar alugueis aos desalojados.
A supervisora de call center Rita Piumbini, de 51 anos, disse que não consegue encontrar apartamento para alugar por R$ 1,5 mil, com o mesmo padrão do seu. “A exigência das imobiliárias é muito grande. Pedem muitos fiadores e não temos parentes em Belo Horizonte para nos ajudar”, disse. Quinta-feira, durante audiência para discutir o problema na Câmara Municipal, um advogado da Estrutura chegou a dizer que a empresa estava procurando apartamentos para alugar há uma semana, mas Rita disse desconhecer essa informação.
Recursos
A Estrutura Engenharia reafirmou ontem que vai manter a posição de recorrer da decisão da Justiça. “Agora, o prazo final para entrar com o recurso é até o dia 20. A empresa pretende usar o tempo máximo permitido pela Justiça”, diz nota da Estrutura, que anuncia ainda a contratação de um novo advogado para acompanhar o caso, Eduardo Coluccini Cordeiro. Rita não se conforma com a recusa da construtora. “Estamos há 21 dias fora de casa e, até recorrerem e a Justiça julgar, sabe Deus quanto tempo mais”, disse.
A vendedora Priscila Amaral, de 41, também não consegue alugar imóvel. “O meu apartamento no Buritis tem área privativa enorme, quase uma casa, e não estou achando nada igual por R$ 1,5 mil. Tenho três filhos e uma cachorra enorme e não é todo condomínio que aceita animais”, disse. Ela também considera absurdas as exigências das imobiliárias.
Eduardo Bianchini conseguiu imóvel de três quartos para alugar no Gutierrez, Região Oeste, por R$ 1,5 mil. “Tive sorte. Minha família é toda de Belo Horizonte e também tenho amigos que aceitaram ser meus fiadores. A papelada ainda está com a imobiliária, que tem que aprovar a ficha. Somente depois vão liberar o imóvel”, disse. “A construtora pode até recorrer para não pagar aluguel para a gente, mas não significa que ela ganhe. Até que haja o julgamento do recurso, ela tem que ir pagando o aluguel”, disse Eduardo Bianchini.
Fonte: https://www.em.com.br/